O sequenciamento de DNA é um processo que determina
a ordem dos nucleotídeos (blocos que constituem a molécula
de DNA) em uma amostra. Existem vários métodos disponíveis,
e cada um apresenta vantagens e desvantagens.
Um dos mais utilizado é o chamado “método didesoxi”
conhecido também como de “terminadores de cadeia” ou
de “Sanger”; ele constitui a base da metodologia empregada
no sequenciamento do genoma humano. Sua estratégia consiste em
identificar, continuamente e sequencialmente durante o
processo, o último nucleotídeo incorporado na extremidade
de alongamento da cadeia. Os produtos da reação deverão
também portar uma “marca” que permita detecta-los na
etapa de análise. Resumidamente, o processo é realizado
a partir de uma cadeia simples (não dupla) do DNA a ser sequenciado;
esta servirá de molde para gerar a outra metade complementar da
dupla hélice. Isto é obtido pela desnaturação
da “molécula nativa” (fig 1).
FIG 1

A reação de síntese se processa
em condições iônicas e de pH apropriadas, na presença
da enzima DNA polimerase e de uma mistura dos 4 nucleotídeos sob
a forma de 3’-desoxinucleotídeo trifosfatos (dNTPs): dATP,
dCTP, dGTP e dTTP sendo um deles marcado radioativamente com ³²P
ou ; um dos mais utilizado
é o dATP ³²P
(fig 2a). Como a enzima utilisada catalisa somente o alongamento da cadeia
nascente é necessário também, a presença na
reação, de um pequeno fragmento de DNA sintético
(XXX) complementar a uma região conhecida (YYY)
na extremidade 3’ do DNA molde; estas características permitirão
sua hibridização no local mencionado, e fornecerão
um ponto de partida para a replicação do DNA. O fragmento
XXX, denominado iniciador ou “primer", quando marcado, poderá
ser utilizado para rastrear o fragmento de DNA recém sintetizado
no lugar do dNTP. Fato importante no processo é que ele é
executado em quatro reações separadas;
cada uma delas, contendo adicionalmente pequena quantidade
de um (e apenas um) dos 4 tipos de cada dNTP sob a forma de análogo,
2’, 3’-didesoxinucleotídeo trifosfatos
(ddNTPs) (fig 2b).
FIG 2

Estes análogos conhecidos como “terminadores”
quando incorporados à cadeia nascente, por não apresentarem
3’OH que permita formar ligação com o próximo
dNTP a ser adicionado, bloqueará todo processo. Como todos os nucleotídeos
normais (dNTPs) estão presentes, o alongamento da cadeia prosseguirá
até que a enzima DNA-polimerase insira um análogo (ddNTP).
Consequentemente, haverá parada imediata da reação
de síntese no ponto em que seu alongamento foi interrompido: na
extremidade e, a molécula estará marcada com ³²P.
Os fragmentos assim obtidos, cada qual contendo um resíduo final
conhecido, pois se sabe em que tubo de reação o análogo
foi adicionado, são separados por tamanho em gel de poliacrilamida
individualmente: um canal de análise para cada reação.
O gel é “transferido” para um suporte de nitrocelulose
(filtro).
Após auto-radiografia a ordem dos nucleotídeos, na cadeia
de DNA recém sintetizada, pode ser visualizada e obtida diretamente;
esta é complementar à da molécula sequenciada:
que serviu de “molde”. Levando estas observações
em consideração, é possível conhecer a sequência
de nucleotídeos do DNA sequenciado de 3’para 5’ partindo-se
da parte inferior para a superior do gel. O resultado e as etapas do processo
descrito acima, frequentemente mostrado em fotografias nos livros especializados,
podem ser observados no esquema da Fig. 3.
FIG 3
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O método pode
ser automatizado através de “maquinaria apropriada”
gerenciada por computadores com “softs” que lêm
sequencialmente e identificam os produtos. Isto permitirá
executar o processo em grande escala. Neste caso utilizam-se simultaneamente
os 4 didesoxinucleotídeos terminadores (ddNTPs) marcados
por fluorescência fig 4a. Como cada reação (A,T,G,C)
utilizou um fluorocromo diferente os produtos podem ser reunidos
e a eletroforese destes realizada em um único canal do gel
de sequenciamento fig 4b. O sinal fluorescente diferencial emitido
por cada fragmento, após iluminação com um
feixe de laser, identificará os produtos baseado na diferença
de comprimento de onda. A luz emitida é detectada por “escaneamento”
do gel e a sequência deduzida por computador fig 4c. Variáveis
mais modernas, consequentemente mais rápidas e poderosas,
incluem a robotização total do processo com a inclusão
das etapas de purificação e da reação
de síntese da cadeia do DNA |
FIG 4
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